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 Sobre "A Inocência do Padre Brown" Personagem originalíssimo de Chesterton, surgido primeiramente no conto A Cruz Azul , o saudoso padre Brown não perde sua originalidade e a sua veia clássica, uma vez que os temas não oxidam com o tempo e parecem estar na ordem do dia. Para os mais aficionados progressistas de plantão, a trama dos contos de Brown pode soar como melodramas ao gosto de um período medieval, como alguns poderiam ousar dizer, próprios de uma época envolta em trevas fundamentalistas e anti racionais. A grande questão é o fato de que a personagem é exatamente o contrário. Em certa feita, Chesterton escreveu a ilustre frase: Chegará o dia em que teremos de provar ao mundo que a grama é verde Parece-me que padre Brown procura provar o tempo todo que a cor da grama é verde, ainda que aqueles mesmos críticos de plantão supracitados possam afirmar que a religião obscurece a razão, o que Brown oferece nos contos é exatamente o contrário e o faz com maestria e um método ...
  Verdade “O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são e das coisas que não são, enquanto não são”. Protágoras Bonifácio não era um nome tão comum, principalmente no início do século XXI, quando a moda eram nomes que figuravam na tela dos cinemas ou em novelas e séries de TV. Pois bem, o fato é que Bonifácio era um homem casado e de meia idade com 40 anos. Silvia era a esposa de quem gostava e ao mesmo tempo desconfiava de adultério, principalmente depois que ela começou a terapia com aquele tal de doutor Ferraz. Sua esposa tinha 38 anos de idade e há tempos sofria de certo colapso nervoso. Moravam na cidade de São Paulo. O clima seco do outono sul-americano sempre a afetava, pois era alérgica à poeira e sofria de asma. Mas, voltemos ao doutor Ferraz. Bonifácio o via como um galã de cinema. Seus traços lembravam muito Richard Gere em seu Outono em Nova Iorque, mas o que mais o intrigava era o fato de Silvia estar mais feliz desde que começara...
Altitude No dia marcado para o encontro, o "Filósofo", como era conhecido o professor de artes, chegou um pouco atrasado e sua presença foi amplamente notada pelos asseclas. A comunidade tinha pouco menos de um ano e já contava com um número razoável de adeptos, se não me falhe a memória uns trinta ou trinta e dois larápios incluindo mulheres e idosos.  O galpão de encontro ficava no subúrbio da cidade de SP em um local que o próprio narrador desconhece tamanho sigilo exigido para tal demanda. A rua mais próxima do beco principal era coberta de musgo verde oriundo da garoa fina e do excesso de mal cuidado daquele antro.  Havia 30 cadeiras de bar que saíram de algum contrabando municipal. No meio dessa cambada de desocupados vale à pena destacar os três principais: o Filósofo, o Cão Farejador e o Sem Braços. Cada apelido tinha um significado prático e a pessoa que o possuía também carregava o simbolismo prático de sua ação no grupo. Não faltava criatividade para as alcunhas, d...